quinta-feira, 10 de outubro de 2013

Amor de Verão!



Há um tempo atrás me apaixonei por um artista, uma paixão meio louca e das mais confusas que tive até então. Nunca deixei de imaginar o quão intenso foi todo aquele sexo, todo aquele amor e todo o contexto poético em que ele colocava a nossa relação. Sempre utilizando um patamar filosófico ele me fazia pensar em nós não só como um casal, mas como algo que estava predestinado a acontecer, dois pontos que se unem no livro do destino mas que em um certo momento se distanciariam novamente.

Haviam dois meses que estávamos nos conhecendo e ele costumava dizer que estava trabalhando em um novo projeto para uma exposição, onde ele pretendia exibir toda a paixão e retratar com uma imensa intensidade o amor e o sexo. Ele chamaria esta obra de guerra e paz. Onde conseguiria mostrar em telas e pinturas, desde a intensidade da paixão, aos delírios do amor e o sofrimento da despedida. Porém eu nunca entendi como ele conseguiria retratar tudo isso em algumas telas.

Ao brotar um sentimento mais forte em nosso relacionamento, eu percebi que ele andava mais agitado, inspirado e às vezes até mais intenso. Cada movimento, cada beijo e cada caminhada ao lado dele parecia ser diferente, como se tudo aquilo não passasse de um grande experimento onde ele queria elevar tudo ao ápice do momento e sentir tudo como se fosse a última vez.

Era mágico quando viajávamos para seu chalé em serra azul, onde nos afastávamos de toda a civilização e ficávamos livres para pensar sem todo aquele barulho da metrópole. Acordava todas as manhãs com o som dos pássaros, o ar fresco dos jardins e toda aquela comida quente na mesa de café. Era tão lindo quando meu amor me chamava para caminhar bem cedo em volta da casa, onde visitávamos os rios e víamos todas as flores. Havia um lugar bem no topo do vale atrás do chalé, onde nos sentávamos aos pés de uma das maiores e mais belas árvores que eu já vi, e lá nos apoiávamos no peito do outro e ficávamos parados sem dizer uma palavra, apenas ouvindo os batimentos e o som da respiração. Não era necessário dizer nada, nós sabíamos que naquele momento , eu era dele e ele era todo meu!

Depois da bela caminhada e o lindo nascer do sol, voltávamos para o chalé onde ele  pedia que eu me despisse e me deitasse na cama, envolto em lençóis brancos, uma cama toda feita em bambu, uma parede branca com poucos detalhes e a grande janela que mostrava toda a beleza dos vales de Serra Azul. Meu amor costumava dizer que meus traços se fundiam àquele conjunto de peças e formavam a tela perfeita, a tela que ele ainda não teve a coragem de pintar com medo de destruir a perfeição que reinava quando tinha a imagem apenas em sua mente.

Em nossa última viagem para o chalé eu percebi que ele andava um pouco distante, com os pensamentos um pouco longe e não parecia mais o homem que eu amava. Com todas as loucuras que eu estava acostumado, não levei em consideração e resolvi não incomodá-lo. Chegamos ao chalé tarde da noite, eu fiz o nosso típico jantar com um assado de pernil recheado, um arroz à piamontese, salada de legumes e escolhi um dos melhores vinhos que estavam disponíveis na adega, um tinto seco carmenére de marca desconhecida. Jantamos e conversamos sobre coisas alheias e logo então fomos nos deitar, um pouco cansados.

Quando estávamos em pêlo, na cama e entrelaçados, sentindo o calor, a excitação, o tesão e todo aquele amor, nos unimos em um sexo tão intenso e gostoso que não tenho mais palavras para descrever. Porém em um certo momento, em meio à todo aquele tesão, eu senti algo: o momento em que ele me agarrou com os braços na altura dos meus ombros  e com as pernas em volta das minhas costas entrelaçadas uma na outra, me apertou de uma forma tão forte e tão intensa e suspirou... Naquele momento e sem nenhuma palavra, eu senti que seria a última vez que eu o veria. Terminamos o coito, nos abraçamos totalmente despidos e adormecemos.

Na manhã seguinte e por dois segundos antes de abrir os olhos eu esperava novamente todo aquele dia do jeito que sempre me excitava, ir até a mesa de café, caminhar pelos jardins, ver o sol nascer ao pé de nossa linda árvore e depois deitar e apreciar a maravilhosa companhia. Porém, ainda sem abrir os olhos, eu percebi que as pernas que dormiram enroladas às minhas, não estavam mais ali, ao passar o braço pela cama percebi que estava sozinho e ao finalmente abrir os olhos, vi apenas um envelope com um adesivo escrito “sempre te amarei”. Quando levantei, peguei aquele envelope, rasguei-o e comecei a ler toda a carta escrita com aquela letra maravilhosa e detalhista que apenas um homem poderia ter feito:

Querido Amor da minha vida,

Espero que não se ofenda com o que estou fazendo, mas espero também que entenda e se lembre de tudo que eu havia lhe dito sobre sermos uma obra do destino e que com certeza não fomos feitos para ficarmos juntos para sempre. Quero que saiba que eu nunca amarei tanto alguém como amei à você, que a perfeição dos seus traços, a poesia dos seus olhos, o brilho do seu sorriso pela manhã e a magia do seu toque, ficarão guardados para sempre no meu peito. As telas mais lindas e perfeitas são aquelas que eu nunca me sentirei digno de pintar, e em cada uma delas espelha a beleza do seu rosto e o contorno do seu corpo. Prometo que jamais te esquecerei e sempre que sentir saudades, Serra Azul estará disponível para você. Estou partindo agora em busca de uma nova inspiração, que seja um amor, um lugar, um vale, um bosque ou até mesmo uma pequena flor. Mas eu nunca me esquecerei da minha grande inspiração que sempre será você.

Nunca esqueça do quão grande é meu amor por ti.
                                                                                                                 Saudades Eternas,
                                                                                                                             Seu Grande Amor!”

Aos prantos terminei de ler a carta, levantei da cama e esqueci o fato de continuar pelado, caminhei com a carta na mão e lágrimas escorrendo como rios em minhas bochechas, fui até o pé da grande árvore e pela última vez, olhei para o sol nascer por de trás daquela montanha, com a intenção de imortalizar aquele momento. Enfim voltei ao chalé, me vesti e recolhi todas as minhas coisas, entrei no carro e voltei para o meu apartamento na metrópole. Esse amor nunca será esquecido e agora eu vivo solitário em meio a população agitada da cidade grande, buscando dentro de toda essa bagunça, novamente algo que me inspire e ressuscite em mim essa vontade de viver.

Em minha sala, olhando pela janela e vendo a cidade de pedra, ainda com esperanças de encontrar um amor tão intenso e verdadeiro, eu finalmente consegui perceber o que ele quis dizer quando me contou sobre o projeto Guerra e Paz. Percebi que por mais especial que tenham sido os nossos momentos, foram apenas arte e inspiração para que ele pudesse retratar com toda realidade os sentimentos que ele pretendia. Porém ele se esqueceu que toda aquela realidade que ele queria passar para as telas, também diziam repeito aos meus sentimentos. Mas além de tudo,eu nunca deixarei de acreditar que cada beijo e cada olhar, foi extremamente sincero e real. Com isso eu vejo que aquele amor não voltará e será impossível algo que se compare àquela intensidade.


Agora caminho pelas ruas da cidade, sento em um café um pouco movimentado com um livro em minhas mãos e tento aproveitar àquela manhã como todas as outras. Quando vejo sentado um homem, alto, bonito e sensual, na cadeira à minha frente e me chama para uma conversa. Nunca se sabe quando o destino pode mudar!

(Dedicatória: Ao meu único amor...)

Um comentário:

  1. Amei amore,sua cara,depois vou olhar tudo com mais calma..VOCÊ É O CARA.

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