segunda-feira, 5 de janeiro de 2015

Por que amar alguem?

Depois de tantas idas e vindas do amor, de encontros e desencantos, não me tornei uma pessoa amarga, não estou depressivo e nem tão pouco solitário. Aprendi, com tudo o que passei, à respeitar os limites das pessoas e ao tempo em que as coisas devem acontecer. Não acredito que o amor seja algo tipo filmes de hollywood: "vou encontrar o amor da minha vida logo agora na flor da idade, vou me apaixonar perdidamente, seremos inseparáveis e no final morreremos bem velhinhos de mãos dadas".

Uma vez um velho amigo me disse algo que eu nunca vou esquecer, ele disse: "você não deve criar expectativas para alguém que acabou de conhecer, essas expectativas são particulares suas e se a pessoa não supri-las você ficará decepcionado com ela, porém ela nem sabia dessas expectativas". Então resumindo, você às vezes não se decepciona com a pessoa, mas se decepciona por ela não ser aquilo que você imaginou que ela seria.

Atualmente eu não estou buscando me prender à alguém, claro que nunca estou fechado completamente para o mundo, mas se o amor não me der dois tapas na cara, eu juro que não vou enxerga-lo. Meu foco atual é totalmente profissional. Alcançar a realização e conquistar os maiores desafios da minha carreira são a minha gasolina, e sem querer parecer um cara mal amado e etc, gostaria de deixar claro que como não estou me envolvendo emocionalmente, não perco tempo me lamentado ou chorando pelos cantos, o que me desviava do real foco agora não me atrapalha mais.

Quero deixar agora no último parágrafo, uma homenagem à empresa que estou trabalhando ultimamente: vocês me dão o gás necessário pra vencer, os desafios que movem a minha mente totalmente louca e me ajudam a não cair, me preparam pro mercado de trabalho da forma mais acertiva e espero que essa relação seja totalmente duradoura. isso é amor!

sexta-feira, 11 de outubro de 2013

Fim do Segundo Encontro



Permanecemos na mesa do bar nos acariciando e beijando por aproximadamente 1 hora, fechamos a conta e saímos caminhando pelo centro de mãos dadas durante a madrugada. Convidei-o à um lugar mais reservado, com receio que a resposta fosse negativa. Mas acredito que estávamos tão alcoolizados que ele nem hesitou e me seguiu para o apartamento de uma amiga bem próximo à onde estávamos.

Quando chegamos, entramos no quarto e nos deitamos naquela cama de casal desarrumada. Tiramos toda a roupa e ficamos à vontade, me senti vulnerável, quase a sensação de um virgem indo ao encontro de sua primeira experiência sexual.

Neste tempo que vinhamos conversando apenas pela internet, tivemos algumas conversas bem picantes e isso me deixou extremamente curioso. Estar com ele naquela cama me fazia sentir vivo novamente, a vontade de experimentar tudo que ele havia me dito e ao mesmo tempo curioso em sentir toda a emoção de ter relações com uma pessoa diferente.

Quando iniciamos aquele sexo gostoso e intensificado pelo álcool, eu tive a sensação de liberdade e foi maravilhoso poder sentir novamente algo forte por alguém novo. Um sentimento que eu já estava acostumado a ter com a mesma pessoa durante meses, estava ali aflorando novamente por uma pessoa que acabara de conhecer.

Terminamos o ato sexual, ele me abraçou por traz, encaixou sua barriga nas minhas costas e acariciou-me em um cafuné até que eu adormeci. Quando dei por mim, o despertador estava aos berros e era hora de trabalhar, estava atrasado e ainda deitado e abraçado com aquele cara lindo. Não foi um sonho, realmente tudo aquilo havia acontecido. Me levantei as pressas, ele já estava acordado me observando, nos vestimos e saímos pelos corredores do prédio.

Ao chegar à portaria, teríamos que seguir caminhos diferentes. Novamente nos despedimos em um abraço apertado e fomos para direções opostas. Peguei o meu ônibus até o trabalho, sem nem me trocar, passei o dia inteiro sentido o cheiro dele pelo meu corpo e o gosto dele em minha boca.


No fim do dia, cheguei em casa cansado e o que eu mais queria era ligar o meu computador para poder conversar com ele novamente. Ao abrir meu notebook, procurei-o em todos os sites, MSN, Facebook e não o vi online. Ele deve estar ocupado e ainda não teve tempo de entrar. Aguardei durante toda a noite/madrugada e nem sinal dele. Foi assim durante dias...

Segundo Encontro



Desde o dia em que vi aquele rapaz pela primeira vez e demos o primeiro beijo, eu não conseguia mais parar de pensar nele, no toque, nos lábios macios e naquele rosto maravilhoso. Todo os dias ao finalizar a minha rotina de trabalho e pré-vestibular, a única coisa que eu queria fazer era chegar em casa, abrir o meu notebook e encontrá-lo online, apenas para uma conversa ou um simples “boa noite”. Era maravilhoso conectar ao facebook e saber que ele estaria ali, só pra um diálogo divertido, pra me fazer rir um pouco e esquecer de todas as confusões do dia.

Com o passar do tempo a vontade de revê-lo foi ficando cada vez maior, eu sentia uma necessidade de dar outro beijo daquele e sentir novamente suas mãos pelo meu corpo. Então, logo depois marcamos o nosso segundo encontro, onde programamos a ida até um bar para um pouco de diversão, pois ele sabia que eu estava precisando. Novamente eu estava ansioso pelo encontro, era uma quinta-feira e tínhamos marcado pra sexta anoite.

Ao chegar o grande dia, eu acordei animado, trabalhei como se o mundo fosse lindo e excepcionalmente neste dia não fui ao pré-vestibular. Não tinha como estudar se na minha mente nada mais entrava além daquele rosto lindo, aquela sensação de estar mais perto dele a cada minuto.

Quando chegou a hora do nosso encontro, eu já estava parado novamente na praça Raul Soares, encostado no poste próximo ao sinal, bem perto de um estacionamento em frente ao Anexo do Mercado. Olhei mais à frente e ele vinha caminhando acompanhado de alguns amigos, cumprimentei-o e fui apresentado. Seguimos em direção à um bar dentro do bairro próximo à praça, fomos caminhando e conversando, rindo, brincando e nos divertindo. Chegamos até o bar, eles escolheram uma mesa, sentamos todos e passamos a noite toda bebendo.

Durante toda a noite eu não conseguia tirar os olhos dele, seus traços me enchiam de prazer e a cada minuto aumentava a minha vontade de beija-lo. Na hora que os amigos se despediram e nos deixaram a sós, pudemos ficar à vontade e eu finalmente matei a minha vontade de beija-lo.  Mas eu não estava satisfeito, eu queria algo mais daquela noite, independente da frequência de encontros ou da nossa intimidade. Eu queria sentir o corpo dele e encontrá-lo na sua forma mais sensível e indefesa, eu queria vê-lo nu e muito mais.

“- A noite ainda não acabou!” Eu disse quando ele ia se preparando para partir. Segurei-o pelo braço e pedi para que ficássemos mais um pouco...

(Continua...)

Primeiro Encontro



Há 1 ano atrás eu estava saindo de um relacionamento extremamente conturbado, banhado de ignorância, orgulho e estupidez, estava farto de tanto sofrimento e resolvi terminar logo com aquele namoro que durara aproximadamente 8 meses. Durante aquele momento de carência e tristeza de fim de namoro eu resolvi entrar em um desses sites de relacionamento, recomendado por um amigo, apenas para conversar e saciar um pouco esta vontade de estar com alguém.

No meio deste site e escondido diante de tantas conversas escrotas e propostas obscenas, eu conheci um rapaz que na foto parecia um pouco esquisito, meio feio, estranho e até mesmo pelas fotos eu consegui identificar um certo altismo. Porém eu resolvi conversar, parecia ser uma pessoa interessante. Diante de um diálogo extremamente produtivo eu me identifiquei de uma maneira incrível, mais do que rápido nós trocamos contato e eu sempre muito inconsequente resolvi marcar um encontro com ele para o dia seguinte.

Ele concordou em me encontrar na praça Raul Soares no outro dia às 23:00 horas para uma rápida conversa pessoalmente. Conversamos por mais algumas horas pelo chat do site de relacionamento e depois mais alguns minutos pelo Facebook. Ao nos despedirmos, trocamos telefones e confirmamos o encontro do dia seguinte.

Quando amanheceu eu já estava agitado para que chegasse a hora do meu encontro, haviam meses que eu não sabia qual era a emoção de conhecer uma pessoa nova e seria também a primeira vez que eu conheceria alguem vindo de um site como este. Quando eu consultei no meu relógio eram 23:00, eu já estava parado no ponto de encontro e liguei para o rapaz. Ele atendeu e disse que estava chegando, me disse que estava próximo à uma viatura estacionada e quando eu me virei em direção à viatura, me deparei com a imagem de um dos homens mais lindos que eu já vi. Uma beleza diferente e sincera, uma beleza que não precisa e nem pode ser comparada à estereótipos sociais, aquela beleza única e singular.

Ao nos aproximarmos, nos abraçamos e resolvemos nos sentar para conversar um pouco, ele estava tão tímido quanto eu e poucas palavras saíam sem ser seguidas de algumas risadas sem graça. Logo mais caminhamos até um outro banco, onde trocamos olhares e sem mencionar uma palavra, nossos rostos se aproximaram e nos beijamos da forma mais ardente e intensa possível. E ali permanecemos em um beijo longo e poético.

Quando os nossos rostos se separaram, nossos olhares se cruzaram e ele em um rápido movimento se levantou, olhou para o relógio e me disse que tinha que partir. Realmente ele mora um pouco distante da metrópole e aquele seria o ultimo ônibus para a região onde ele mora. Nos despedimos em um forte e aconchegante abraço, ele se virou e seguiu caminhando até o ponto. Daí eu me virei e segui caminho até minha casa, com pensamentos borbulhando e um coração palpitando de tanta emoção.


(Continua...)

quinta-feira, 10 de outubro de 2013

Prazer, eu sou Dirceu!



Conheci Dirceu em uma manhã de terça-feira, caminhando pelas ruas do meu bairro numa tarde de outono, pisando em folhas secas e observando todo aquele ambiente seco ilustrando perfeitamente a estação, quando me deparei com um homem de meia idade, sentado em um banco de madeira, com um jornal fechado em seu colo e chorando. Me sensibilizei com sua situação e sem deixar minha curiosidade de lado, resolvei me sentar ao lado deste homem e perguntei o seu nome. Limpando as lágrimas dos olhos, ele me olhou de uma forma fixa, como se pudesse ver até a minha alma e me respondeu: “Dirceu!”

Perguntei ao Sr Dirceu o que havia acontecido para que ele estivesse sentado ali aos prantos e se eu poderia ajudá-lo em algo. Mas o homem me parecia tão sábio e inteligente, que ao mesmo tempo que eu lhe fiz essa pergunta, eu me perguntei se realmente eu teria altivez para ajuda-lo de alguma forma, independente do problema. Mas com toda a sua simplicidade, Dirceu ergueu sua cabeça, abriu um belo sorriso e me disse: “- Quisera eu, que apenas uma pessoa pudesse me ajudar, mas os meus problemas não são meus, choro aqui meu caro amigo pelos problemas do mundo e estou em prantos tentando superar o fato de viver em um lugar onde tudo que se valoriza é o próprio bem-estar.”

Ao ouvir as palavras de Dirceu, comecei a pensar no que ele havia dito. Com um único movimento, me ergui daquele banco e prometi ao Sr Dirceu que faria algo, não que mudasse o mundo, mas pelo menos tentaria encontrar uma forma de realmente transformar a sociedade. Logo me despedi de Dirceu e o agradeci pelas simples e belas palavras.

Chegando em meu apartamento sem conseguir esquecer o rosto daquele homem, tão puro e honesto, as lágrimas escorrendo em seu rosto por causa dos problemas do mundo. Sentei em meu sofá, apoiei os cotovelos nos joelhos e com as mãos tapei o rosto, em busca de um pensamento ou uma idéia que realmente pudesse fazer a diferença. Depois de alguns minutos refletindo na mesma posição eu percebi que o mundo não poderia ser mudado, mesmo com pessoas como Dirceu se sensibilizando, ninguém poderia mudar o mundo. O ser humano vive em processo de evolução e por mais que nos esforcemos, nunca vamos conseguir acelerar este processo.

Porém eu poderia sensiblizar mais pessoas, assim como Dirceu me sensibilizou e isso poderia fazer pelo menos alguma diferença na região onde vivo. Com essa idéia em mente, corri até o meu escritório, apanhei uma folha em branco e uma caneta. Comecei a escrever uma carta, qual eu tiraria várias cópias e colocaria na caixa de correio de cada morador do meu bairro.

“ Queridos amigos e vizinhos,

Esta manhã eu me deparei com uma situação muito comovente, sensível e que me fez pensar no que poderíamos estar fazendo para ajudar mais os nossos próprios vizinhos. Me deparei em frente ao mercado do Sr Manoel com um homem de meia idade, que chorava feito uma criança, logo imaginei que ele tivesse sido roubado ou tivesse perdido algum ente querido. Quando me sentei ao seu lado e perguntei o que havia acontecido, ele me respondeu que chorava pois a vontade dele era ajudar a todas as pessoas do mundo que necessitam, que ele chorava pois o alcance de suas boas ações não tinha a proporção do mundo e ele estava deprimido por não ter a grandeza de fazer mais.

Então meu queridos, os convido a pensar no que andam fazendo para ajudar o próximo, pois cada boa ação gera uma nova e isso se torna uma eterna corrente. Cada gesto de bondade, que seja um bom dia, um aperto de mãos, um prato de comida ou até mesmo um abraço. Tudo isso se torna uma grande corrente e assim como este senhor me comoveu e me inspirou à escrever para vocês, espero que vocês leiam esta carta e repassem estes gestos de gratidão. Quem sabe assim este senhor que estava choroso por se sentir impotente e pequeno, não tenha desencadeado uma grande mudança?

Desde já Agradeço a todos,
Tenham um excelente e maravilhoso dia!”

No dia seguinte, fui até a papelaria, tirei várias cópias desta carta, envelopei todas elas e dentro de cada envelope eu anexei um grão de arroz. Durante a semana eu fui de porta em porta entregando todas essas cartas, coloquei em caixas de correios, nas mãos dos passantes e até mesmo para pessoas dentro de carros. Quando todos os envelopes acabaram eu estava com a mesma sensação do Sr Dirceu, a sensação de querer fazer mais, porém incapacitado e limitado.

Algumas semanas depois eu me deparei com Dirceu novamente no mesmo banco e dessa vez quem me parou foi ele, com apenas um movimento se levantou e ficou de pé em minha frente. Quando me assustei com o rápido movimento do homem ele me perguntou:”- Ei, foi você que entregou todas aquelas cartas com o grão de arroz?” Eu automaticamente respondi que sim e logo fiquei com a expressão abatida. Dirceu meio curioso me perguntou qual o motivo do grão de arroz. Respondi que cada grão de arroz daqueles simbolizava uma pessoa, que sozinho não serviria para nada, porém se eu conseguisse unir todos aqueles grãos que eu distribui, eu poderia construir um pacote de arroz e perguntei para Dirceu: “Quantas pessoas um pacote de arroz pode alimentar?”

Dirceu sorrindo me disse que havia adorado a minha idéia e acreditou que poderia dar muito certo, mas ele viu em minha expressão que eu não estava tão contente. Logo me perguntou se eu nao confiava que minha idéia poderia dar certo. Respondi à Dirceu que poucos dias depois de ter entregue os evenlopes, eu vi muitas de minhas cartas jogadas pelos lixos, nas ruas e boeiros. Falei à Dirceu que quando tentamos ajudar o mundo, somos agraciados com uma sensação de impotência gigantesca e desmotivadora. As pessoas não se importam mais.

Dirceu retrucou, segurou em meu ombro com força e disse:”-Meu caro amigo, como você mesmo citou em sua carta, tudo se trata de uma corrente. Eu sem mover um dedo e com apenas algumas palavras te comovi e motivei-o a fazer tudo isso o que fez. Imagine agora a quantidade de cartas que você distribuiu, por mais que a maioria não tenho dado importância, pense na quantidade de pessoas que também se sensibilizaram e acabaram continuando com essa corrente. Então tudo se trata apenas de uma minoria e essa minoria fazendo sua parte, comove uma outra minoria e que logo acabará se tornando uma maioria.”


Emocionado, agradeci à Dirceu por novamente abrir a minha mente e voltei correndo até minha casa, sentei novamente em meu sofá e resolvi que durante todos os dias da minha vida eu daria um prato de comida para alguém, ou um aperto de mãos à um desconhecido, ou um abraço à alguém que estiver chateado e até mesmo um bom dia para o motorista do coletivo. Por que como Dirceu me ensinou, uma simples atitude pode gerar um enorme resultado.

O melhor amor.



Abro os olhos pela manhã, com o corpo nu e enrolado em lençóis brancos de uma cama grande e bagunçada, os travesseiros jogados no chão e meu corpo totalmente extasiado. Olho em volta e vejo um quarto desorganizado, escrivaninhas vazias, mesas ocupadas apenas com objetos sexuais e aparelhos eletrônicos sem nenhuma utilidade. Sinto vontade de ter em minha mesa de cabeceira, a foto de alguém que eu possa acordar e olhar diretamente nos olhos, pensando que logo mais o verei e só de ter olhado aquela imagem meu dia será muito melhor.

Levanto da cama ainda enrolado nos lençóis, vou caminhando até a sala de estar e me sento no sofá com as pernas dobradas e encostadas no meu peito. Fixo o meu olhar em um ponto qualquer e me transporto para o mundo do pensamento onde consigo analisar dentro da minha mente a vida que levo e até onde eu pretendo chegar. Estou perdido e não consigo me encontrar, apenas em busca de um amor, mas perdendo cada dia mais a esperança de encontrar.

Acredito que um amor poderia me libertar dessa vida suja e vulgar, me levando para um mundo novo, onde eu conseguiria abusar de todo o meu potencial. Queria conhecer alguém que me pegaria pelos braços e me levaria consigo até o fim do mundo, me mostrando que eu consigo ser muito mais do que sou hoje, que posso ter tudo que eu sempre quis sem precisar abusar da minha sensualidade e que eu tenho mais conteúdo do que os olhos podem ver.

Em meio ao mar de minha imaginação a campainha toca e interrompe meus pensamentos, caminho até o interfone e ouço a voz do porteiro Miguel dizendo:  – “Sr Glades, um tal de Gastão está te procurando.” Logo lembrei que eu tinha um compromisso marcado pela manhã e respondi:  -“ Miguel, peça para que ele aguarde um instante!”

Fui às pressas até o quarto onde me vesti e tentei organizar de qualquer maneira toda aquela bagunça, o lugar precisava ficar apresentável para meu próximo convidado. Caminhando até a sala percebi que ela também não estava nada agradável e tentei ajeitar da melhor maneira que pude com tão pouco tempo, e sempre pensando que deveria ter acordado mais cedo. Quando finalmente deixei o apartamento apresentável, me dirigi ao interfone e pedi para que Miguel o mandasse subir.

Pouco tempo depois ouço duas batidas leves e sensíveis em minha porta, à maneira de um verdadeiro cavalheiro ao socar portas alheias. Ao girar a maçaneta, olho de baixo pra cima àquele homem extremamente bem apresentável, de terno e gravata,  com idade pouco acima dos 28 e com um olhar meio tímido, sensível.

Por estar acostumado com visitas de clientes diariamente selvagens, escrotos e hostis, eu resolvi pergunta-lo se realmente era o tal Gastão que eu estava esperando, logo ele me confirmou seu nome e eu convidei-o à entrar. Nos sentamos na sala, pois sempre recebo os meus clientes no sofá, onde ofereço um café ou algo do gênero. Ele no entanto me pediu um copo d’água. Quando voltei da cozinha, me sentei ao lado de Gastão e comecei a observá-lo segurando o copo e olhando para o mesmo ponto que eu olhava mais cedo, totalmente neutro e recolhido aos pensamento. Esperei até que ele acabasse de beber a água e o convidei para ir até o quarto. Caminhamos juntos.

Quando chegamos, ele se sentou na cama e eu comecei a desatar o nó de sua gravata, desabotoar sua camisa, recolher o paletó, abrir o seu cinto até que ele estava parado na minha frente usando apenas suas roupas de baixo. Logo me despi e me sentei ao seu lado, porém ele não havia falado nenhuma palavra desde que estávamos na sala de estar. Eu parei novamente e fiquei um tempo lhe observando.

Não conseguia imaginar por que um rapaz tão bonito estaria ali na minha cama, dentro do meu apartamento se envolvendo em uma relação vazia e apenas sexual, onde durariam algumas horas de prazer e nada mais. Ele poderia estar se preparando para o casamento ou para a vida dos sonhos, mas estava ali, sentado do meu lado, calado e de cueca, totalmente indefeso.

Em meio à todos esses pensamentos eu senti sair de dentro de mim uma vontade de beija-lo e quando dei por mim, estávamos agarrados na cama, deitados e nos acariciando como se nos conhecêssemos há anos. Mesmo sem dizer uma palavra eu conseguia ver que ele também queria passar a mão em cada parte do meu corpo e sentir cada detalhe, assim como eu estava gostando de enxergar com a ponta dos dedos, cada mínima curva naquele corpo escultural. De repente nós estávamos pelados em um ato sexual extremamente intenso e excitante, ele estava dentro de mim como se conseguisse se fundir ao meu corpo e a cada penetração eu sentia um pouco de paixão.

Quando chegamos ao ápice de todo aquele sexo, ele me apertou assim como eu à ele, e tentamos de uma forma quase poética unir nossos corpos, até que ele derramou dentro de mim toda a essência de paixão que estava guardado dentro daquele corpo e então vi sair de dentro dele uma angustia e um arrependimento. Logo eu me deitei novamente em minha cama e fiquei apenas observando por debaixo dos lençóis, aquele homem sensível e diferente, fazer como todos os outros escrotos.


Eu me vi deitado na cama, com meio rosto pra cima e observando com apenas um olho, aquele lindo rapaz recolhendo suas roupas e as vestindo de forma apressada, sem nenhuma vontade de olhar pra trás. Sem nenhum beijo de despedida ou ao menos um “tchau”, ele depositou o dinheiro na minha cabeceira, se virou e partiu como todos os outros, me deixando ali deitado, à espera de um novo amor. Amores que duram apenas um dia e me sustentam por meses.

Relatos de um fumante... (Ep.02)


4º dia longe do meu vício...
Me vejo mergulhado em um mar de solidão e confusão, a vontade de estar contigo por pelo menos uma tragada é incessável. Nadando em um rio de chocolate, balas, chicletes e comidas diferentes que não conseguem me fazer esquecer a sensação de ter você passando por dentro de mim. Este entra e sai de fumaça cinza, misturado à sensação de paz e tranquilidade me deixam com a vontade de largar todo este esforço e me jogar novamente aos seus braços.
A verdade é que eu não posso mais suportar ser dominado por esse vício, por essa falsa paz que você traz e pela vontade de estar contigo dia e noite. Estou me libertando desta prisão de paredes grossas e grades de nicotina. Me sentindo enjaulado em uma gaiola negra construída pelas escolhas de estar acompanhado de um vício tão maligno. Mas a libertação vem com o tempo, em passos curtos e muito esforço. Ao longo dos dias me sinto mais livre e com mais vontade de continuar lutando. Veremos o que vem pela frente!