quinta-feira, 10 de outubro de 2013

O melhor amor.



Abro os olhos pela manhã, com o corpo nu e enrolado em lençóis brancos de uma cama grande e bagunçada, os travesseiros jogados no chão e meu corpo totalmente extasiado. Olho em volta e vejo um quarto desorganizado, escrivaninhas vazias, mesas ocupadas apenas com objetos sexuais e aparelhos eletrônicos sem nenhuma utilidade. Sinto vontade de ter em minha mesa de cabeceira, a foto de alguém que eu possa acordar e olhar diretamente nos olhos, pensando que logo mais o verei e só de ter olhado aquela imagem meu dia será muito melhor.

Levanto da cama ainda enrolado nos lençóis, vou caminhando até a sala de estar e me sento no sofá com as pernas dobradas e encostadas no meu peito. Fixo o meu olhar em um ponto qualquer e me transporto para o mundo do pensamento onde consigo analisar dentro da minha mente a vida que levo e até onde eu pretendo chegar. Estou perdido e não consigo me encontrar, apenas em busca de um amor, mas perdendo cada dia mais a esperança de encontrar.

Acredito que um amor poderia me libertar dessa vida suja e vulgar, me levando para um mundo novo, onde eu conseguiria abusar de todo o meu potencial. Queria conhecer alguém que me pegaria pelos braços e me levaria consigo até o fim do mundo, me mostrando que eu consigo ser muito mais do que sou hoje, que posso ter tudo que eu sempre quis sem precisar abusar da minha sensualidade e que eu tenho mais conteúdo do que os olhos podem ver.

Em meio ao mar de minha imaginação a campainha toca e interrompe meus pensamentos, caminho até o interfone e ouço a voz do porteiro Miguel dizendo:  – “Sr Glades, um tal de Gastão está te procurando.” Logo lembrei que eu tinha um compromisso marcado pela manhã e respondi:  -“ Miguel, peça para que ele aguarde um instante!”

Fui às pressas até o quarto onde me vesti e tentei organizar de qualquer maneira toda aquela bagunça, o lugar precisava ficar apresentável para meu próximo convidado. Caminhando até a sala percebi que ela também não estava nada agradável e tentei ajeitar da melhor maneira que pude com tão pouco tempo, e sempre pensando que deveria ter acordado mais cedo. Quando finalmente deixei o apartamento apresentável, me dirigi ao interfone e pedi para que Miguel o mandasse subir.

Pouco tempo depois ouço duas batidas leves e sensíveis em minha porta, à maneira de um verdadeiro cavalheiro ao socar portas alheias. Ao girar a maçaneta, olho de baixo pra cima àquele homem extremamente bem apresentável, de terno e gravata,  com idade pouco acima dos 28 e com um olhar meio tímido, sensível.

Por estar acostumado com visitas de clientes diariamente selvagens, escrotos e hostis, eu resolvi pergunta-lo se realmente era o tal Gastão que eu estava esperando, logo ele me confirmou seu nome e eu convidei-o à entrar. Nos sentamos na sala, pois sempre recebo os meus clientes no sofá, onde ofereço um café ou algo do gênero. Ele no entanto me pediu um copo d’água. Quando voltei da cozinha, me sentei ao lado de Gastão e comecei a observá-lo segurando o copo e olhando para o mesmo ponto que eu olhava mais cedo, totalmente neutro e recolhido aos pensamento. Esperei até que ele acabasse de beber a água e o convidei para ir até o quarto. Caminhamos juntos.

Quando chegamos, ele se sentou na cama e eu comecei a desatar o nó de sua gravata, desabotoar sua camisa, recolher o paletó, abrir o seu cinto até que ele estava parado na minha frente usando apenas suas roupas de baixo. Logo me despi e me sentei ao seu lado, porém ele não havia falado nenhuma palavra desde que estávamos na sala de estar. Eu parei novamente e fiquei um tempo lhe observando.

Não conseguia imaginar por que um rapaz tão bonito estaria ali na minha cama, dentro do meu apartamento se envolvendo em uma relação vazia e apenas sexual, onde durariam algumas horas de prazer e nada mais. Ele poderia estar se preparando para o casamento ou para a vida dos sonhos, mas estava ali, sentado do meu lado, calado e de cueca, totalmente indefeso.

Em meio à todos esses pensamentos eu senti sair de dentro de mim uma vontade de beija-lo e quando dei por mim, estávamos agarrados na cama, deitados e nos acariciando como se nos conhecêssemos há anos. Mesmo sem dizer uma palavra eu conseguia ver que ele também queria passar a mão em cada parte do meu corpo e sentir cada detalhe, assim como eu estava gostando de enxergar com a ponta dos dedos, cada mínima curva naquele corpo escultural. De repente nós estávamos pelados em um ato sexual extremamente intenso e excitante, ele estava dentro de mim como se conseguisse se fundir ao meu corpo e a cada penetração eu sentia um pouco de paixão.

Quando chegamos ao ápice de todo aquele sexo, ele me apertou assim como eu à ele, e tentamos de uma forma quase poética unir nossos corpos, até que ele derramou dentro de mim toda a essência de paixão que estava guardado dentro daquele corpo e então vi sair de dentro dele uma angustia e um arrependimento. Logo eu me deitei novamente em minha cama e fiquei apenas observando por debaixo dos lençóis, aquele homem sensível e diferente, fazer como todos os outros escrotos.


Eu me vi deitado na cama, com meio rosto pra cima e observando com apenas um olho, aquele lindo rapaz recolhendo suas roupas e as vestindo de forma apressada, sem nenhuma vontade de olhar pra trás. Sem nenhum beijo de despedida ou ao menos um “tchau”, ele depositou o dinheiro na minha cabeceira, se virou e partiu como todos os outros, me deixando ali deitado, à espera de um novo amor. Amores que duram apenas um dia e me sustentam por meses.

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